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Wilson Ruggiero

Da computação clássica aos conglomerados de redes

Wilson RuggieroWilson Vicente Ruggiero é um Doutor de muitas funções. Graduado e mestre em engenharia elétrica pela USP e doutor em computer science pela Universidade da Califórnia em Los Angeles - UCLA, Ruggiero é professor titular da USP, atua em projetos de pesquisa como: IPTV, Plataforma para Computação Segura, Ambiente colaborativo, MPSD, TIDIA-Ae Fase 2, KyaTera, Overlay e ainda é Diretor Presidente da Scopus Tecnologia S.A.

Trabalha principalmente com temas como: Segurança da Informação, Redes de Computadores sem fio, Modelo de confiança, Redes não estruturadas e Redes de Serviço.

Considerado um dos precursores da internet no Brasil, Ruggiero concedeu-nos uma entrevista que traz curiosidades a respeito desse moderno meio de comunicação.

Na sua opinião, quais são as principais características da internet?

O efeito rede, de criação de comunidades, é o grande potencial da internet. Aliado à natureza distribuída, ela reproduz situações diversas e tem a grande vantagem de nos conectar aos dados que desejamos. Ela reduz/elimina distâncias, o que cria um efeito de crescimento exponencial.

Como foi seu primeiro contato com um computador?

O meu contato começou como usuário e, ao mesmo tempo, como aquele que tem a visão de projetista de engenharia eletrônica. Inicialmente, trabalhei com a máquina perfuradora de cartões, que eram responsáveis pelo armazenamento de dados. Em 1970, fui estagiário do Laboratório de Sistemas Digitais e pude participar do projeto do primeiro computador brasileiro, que foi o “patinho feio”.

Quando foi a sua primeira experiência com a Arpanet?

Foi em março de 1975, quando eu cheguei na UCLA para começar o meu doutorado. Fui integrado em um dos projetos de pesquisa existentes e a ferramenta de trabalho utilizada nos conectava à Arpanet.

Como o Sr. contribuiu com o desenvolvimento da internet no Brasil?

Com o desafio de usar a internet comercialmente. Tanto na Scopus, quanto na USP, estruturei a questão da segurança da informação junto a uma equipe da universidade. Dessa forma, possibilitamos diversas transações de negócios. Em 1996, lançamos o primeiro internet banking seguro do Brasil e da América Latina, sendo o quinto do mundo. O Banco que agregou essa nova ferramenta foi o Bradesco.

Na sua opinião, quais foram os fatos mais importantes no desenvolvimento da rede no Brasil?

O mais importante foi a ação da comunidade de pesquisa, principalmente de alguns agentes que financiaram ou facilitaram a conexão internacional da rede aqui no Brasil, destacando a FAPESP.

Dentro ainda do ambiente acadêmico, a Rede ANSP, a RNP e as Remavs (redes metropolitanas) foram iniciativas que tinham o objetivo de consolidar a rede no Brasil e nas comunidades de pesquisa.

Do lado comercial, o fato marcante é a demanda que nós tínhamos no País por transações seguras no ambiente financeiro. A internet disponibilizou e facilitou uma redução de custo dramática ao comércio. A comunidade de pesquisa respondeu a esse desafio e gerou um desenvolvimento de segurança imensurável.

O que o Sr. pensa do futuro da internet? Cite dois ou três aspectos.

A internet vive hoje uma encruzilhada em diversos aspectos. O País precisa de uma internet segura (do ponto de vista de poder realizar transações), confiável (que suporte ações terroristas) e que não suporte manipulações orquestradas.

A questão do conteúdo que é divulgado na internet, o conteúdo colaborativo, as ações cooperativas confrontadas com o tradicional direito de propriedade, o direito individual, as ações de conteúdo livre e de software livre, o movimento de comunidades; tudo isso é muito desconhecido ainda.

Estamos começando a perceber o potencial dessas idéias e onde podemos chegar com elas. É um salto significativo no substrato tecnológico que produz velocidade e qualidade no serviço.

A migração para os ambientes ópticos de infra-estrutura e os protocolos que utilizam eficientemente essa grande capacidade de banda, para fornecer qualidade de serviço, permitirão ampliar o processo de interação e colaboração sob a rede e realimentar o processo de criação de comunidades.

O Sr. enxerga alguma tendência tecnológica?

Existem muitas, cada uma dessas vertentes que eu citei tem algo de importante. O mais fundamental talvez seja o indivíduo se imaginar dentro da estrutura distribuída (não centralizada) da internet, conseguindo manter essa estrutura, as questões de segurança, de disponibilidade, de confiabilidade e as questões de qualidade de serviço.

É muito fácil você buscar soluções para esses desafios tecnológicos, em que viola-se a característica principal da internet, que é a de distribuição. Se você imagina alguma coisa confinada, contida num certo ambiente, fica fácil propor soluções seguras, confiáveis, velozes e com qualidade de serviço. O grande desafio é usar a tecnologia em cada um desses aspectos, mantendo a mesma característica distribuída da internet.


Edição: Greice Munhoz




por renato Última modificação 19/05/2008 15:48
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