Histórico
A Rede Ansp (Academic Network at São Paulo) foi criada em 1988 pelo então presidente da Fapesp, o Prof. Oscar Sala, como um projeto especial para atender a uma solicitação das três universidades estaduais paulistas.
Após ser aprovado pelo Conselho Superior da Fapesp, o projeto foi alocado nas dependências do Centro de Processamento de Dados da Fapesp, na época sob os cuidados do Prof. Demi Getschko, e reconhecido pelo Fermilab como rede cooperante.
Depois de entendimentos com a Embratel e a Secretaria Especial de Informática (SEI), instalou-se uma conexão de 4800 bps (bits por segundo) entre os Estados Unidos (Fermilab, Illinois) e o Brasil (Estado de São Paulo).
A Fapesp custeou o enlace internacional e dos equipamentos de comunicação, proporcionando acesso exclusivamente aos usuários acadêmicos paulistanos por meio das linhas dedicadas e da Rede Nacional de Pacotes (Renpac) da Embratel. Até 2000, foram investidos cerca de 24 milhões de dólares nesse projeto.
A Rede Ansp começou com cinco nós, tendo a Fapesp como o gateway internacional e os outros quatro foram as três principais universidades públicas paulistas (USP, Unicamp e Unesp) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Neste início, a rede utilizada era a chamada Bitnet (acrônimo para Because It's Time Network), combinada com a DECnet. Veja mais em entrevista com o Sr. Alberto Gomide.
De acordo com a reportagem da revista Veja (edição 1076 do ano de 1989, páginas 86 e 87), a inauguração oficial da Rede Ansp e sua conexão com a Bitnet ocorreu no dia 14 de abril de 1989, com a presença do então governador de São Paulo, Orestes Quércia e do secretário estadual de Ciências, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Luis Gonzaga Beluzzo, na sede da Fapesp.
Em setembro de 1989, o governo federal brasileiro criou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e a Ansp passou a ser o representante paulista da RNP. Em fevereiro de 1991, o projeto Ansp adotou o protocolo TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) e passou a fornecer acesso à Internet para as os integrantes da rede por meio de um enlace de 9600 bps.
No período de 1992 a 1994, o projeto Ansp foi o único acesso que o Brasil teve para a Internet, tanto para o tráfego acadêmico como para o comercial. Desta forma, ele é considerado parte das raízes da Internet no país.
Até o final do século XX, as conexões da Rede Ansp eram basicamente de dois tipos: por rádio ou por linha privativa (LP) contratada. Os enlaces por rádio eram estabelecidos na mesma região de uma cidade e dependiam principalmente da inexistência de obstáculos físicos entre as antenas. Por sua vez, as conexões por LP ocorriam entre cidades ou em situações em que o serviço de rádio não seria eficiente. Ambos os tipos não ultrapassavam a taxa de 2 mbps (megabits por segundo).
Em 1998, a Rede Ansp resolveu estabelecer um Network Access Point (NAP) em São Paulo, ou Ponto de Troca de Tráfego (PTT), como ficou chamado no Brasil. A operação do PTT, inicialmente em caráter experimental, procurou seguir as recomendações, na época, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI). Uma das exigências feitas aos participantes do PTT era que o acordo de peering (troca de tráfego) com a rede Ansp seria mandatório.
Em 2001, iniciou-se a implantação do projeto denominado Advanced Ansp, que interligava em anel as cidades do Estado de São Paulo onde estavam localizados os principais campis das universidades paulistas. As conexões entre as cidades ocorriam nas velocidades de 155 Mbps (STM-1, no jargão da área de telecomunicações), 34 Mbps (E3) ou 2 Mbps (E1).
Ao aceitar o desafio de construir estes enlaces na escala proposta pelo projeto Advanced Ansp, a Telefônica implantou uma rede SDH (Synchronous Digital Hierarchy) para atendimento dos requisitos de enlaces do projeto, enquanto que a equipe da Rede Ansp trabalhou na configuração de roteamento e equipamentos de rede, quando se estabeleceram parcerias com empresas como a Nortel Networks e Foundry Networks.
Com o projeto Advanced Ansp, a Fapesp estabeleceu um acordo com a Florida International University (FIU) e a rede acadêmica paulista passou a fazer parte do projeto AMericasPATH (AMPATH), financiado pela National Science Foundation (NSF). Com esse projeto, as universidades paulistas passaram a ter acesso pela primeira vez ao Abilene Network (Internet2) e a dez Redes Nacionais de Pesquisa e Educação (NRNs, acrônimo em inglês para National Research and Educational Networks) da América Latina, incluindo Caribe e México. A conexão era de 45 Mbps, fornecida pela Global Crossing.
Em 2003 iniciou-se uma discussão na Fapesp a respeito da transferência de custos das conexões para as universidades. Instituições como a Unesp, e.g., perceberam a importância estratégica de controlar a própria rede. Decidiu-se que a Rede Ansp passaria a funcionar da mesma maneira que um ponto de troca de tráfego e continuaria como provedor de internet Commodity e de Internet2.
Assim, em 2004, em vez de prover uma conexão para que cada uma das Universidades e Centros de Pesquisa se integrassem à Rede Ansp, a Fapesp passou a realizar um repasse anual do valor monetário correspondente a 1% da soma de seus respectivos projetos com reserva técnica, para que as instituições investissem em conectividade da forma mais conveniente para cada uma delas. Isto foi aprovado e regulamentado em 2007.
Em 2005, a equipe da Rede Ansp mudou-se para um novo escritório, que se denominou Núcleo de Apoio à Rede Acadêmica (Nara) e os equipamentos que formam o core da Rede Ansp, juntamente com seus servidores, foram instalados no NAP do Brasil, em Tamboré, Barueri (SP).